Nos meus tempos de rapariguinha romântica, não me lembro como,chegou-me ás mãos este poema que me encantou! A prova é que ainda o tenho na memória.

Bem vês! o amor é egoísta
Propões que troque e esqueça pela amizade
Este amor que me enche o peito e a cabeça
Sim, isso é bom de propor
Mas se sentisses um pouco do que eu sinto
Certamente verias o que há de louco
Nessa proposta incoerente.
Bem vês! o amor é egoísta
De um egoísmo sublime e louco
Não se contenta com pouco
Quer para si quanto avista
Na sua esfera de acção
E a amizade é um sentimento
Que se reparte e divide
Que divide o coração
É como uma imensa vide
Que dá frescura e alento
A todos sem distinção.
Ter-te amizade!... Impossível!
Quando um amor de esta forma
Nos prende, arrebata e inflama,
Todo o nosso ser sensível,
Morre, mas não se transforma.
Esta ardência de quem ama
É como uma intensa chama,
Em ânsias subindo ao céu...
Nunca se pode tornar
Em amizade ou frieza...
Se esfria é porque morreu.
Ter-te amizade!... Impossível!
Quando um amor de esta forma
Nos prende, arrebata e inflama,
Todo o nosso ser sensível,
Morre, mas não se transforma.
Esta ardência de quem ama
É como uma intensa chama,
Em ânsias subindo ao céu...
Nunca se pode tornar
Em amizade ou frieza...
Se esfria é porque morreu.
Poder eu ter-te amizade?
Talvez, se um dia essa flor
Brotar com serenidade
Na campa onde, oh ansiedade!
Foi sepultado esse amor.
D. Alberto Bramão
D. Alberto Bramão
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